Em 11 de setembro de 2001, eu tinha descoberto há pouco mais de uma semana que meu Gabriel estava a caminho, vendo às imagens dos ataques e todo aquele terror, apenas uma coisa me vinha à cabeça: Para que mundo estou trazendo meu bebê?
10 anos se passaram, não tenho uma resposta pronta, somente a certeza de que meu filho vive num mundo, onde tentamos melhorar todos os dias, vivendo um dia de cada vez... só depende de nós fazer esse mundo melhor!!!
Poema de Drummond, lido durante uma cerimônia em homengem aos passageiros que enfrentaram os sequestradores em 2001
"Clara passeava no jardim com as crianças.
O céu era verde sobre o gramado,
a água era dourada sob as pontes,
outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados,
o guarda-civil sorria, passavam bicicletas,
a menina pisou a relva para pegar um pássaro,
o mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era tranquilo em redor de Clara.
As crianças olhavam para o céu: não era proibido.
A boca, o nariz, os olhos estavam abertos. Não havia perigo.
Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos.
Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas,
esperava cartas que custavam a chegar,
nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava no jardim, pela manhã!!!
Havia jardins, havia manhãs naquele tempo!!"
Carlos Drummond de Andrade
(do livro Sentimento do Mundo)
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